Mês Fechado
Organizar o dinheiro

Caderno, planilha ou aplicativo: como anotar os gastos sem desistir

Compare caderno, planilha e aplicativo para anotar gastos, veja uma rotina de cinco minutos, as categorias mínimas e como ler o resultado no fim do mês.

Por Redação Mês FechadoAtualizado em · 5 min de leitura · Nível iniciante

Para anotar os gastos sem desistir, escolha o formato que combina com sua rotina, use poucas categorias e reserve cinco minutos por dia, sempre no mesmo horário. Caderno, planilha e aplicativo funcionam; o que faz a anotação durar é ser simples o bastante para não virar tarefa pesada.

Por que a maioria desiste

Quase todo mundo já começou a anotar gastos e parou na segunda semana. Os motivos se repetem:

  • categorias demais, que fazem cada anotação virar uma decisão;
  • tentar registrar tudo na hora da compra, o que nem sempre dá;
  • ficar dias sem anotar e desanimar com o atraso;
  • anotar o mês inteiro e nunca olhar o resultado.

O último é o mais importante. Anotar sem ler é esforço sem retorno, e qualquer pessoa larga um hábito que não devolve nada. Por isso este guia termina com a parte de ler os números.

Caderno, planilha e aplicativo comparados

Formato Vantagens Desvantagens Combina com quem
Caderno Barato, sem internet, escrever ajuda a lembrar Contas feitas à mão, pode ficar em casa Gosta de papel, usa pouco o celular
Planilha Soma sozinha, gera totais por categoria Exige computador ou paciência no celular Tem alguma prática com planilhas
Aplicativo Sempre à mão, alguns importam o extrato Pode ter anúncios, versão paga, pede dados Usa muito o celular

Caderno

Uma folha por mês, com colunas de data, descrição, categoria e valor. No fim de cada semana, some por categoria. É o formato mais simples de começar e o mais fácil de abandonar se ficar esquecido na gaveta. Deixe o caderno num lugar visível.

Planilha

Você pode montar a sua com as mesmas colunas do caderno e uma tabela resumo que soma por categoria. Programas de planilha gratuitos funcionam também no celular. A vantagem é ver o total do mês atualizado sem fazer conta.

Aplicativo

Muitos bancos já mostram os gastos do cartão e da conta separados por categoria no próprio aplicativo. Isso ajuda, mas não pega o que é pago em dinheiro nem o que sai de outro banco. Aplicativos de controle financeiro juntam tudo, e alguns se conectam às contas pelo Open Finance, sistema regulado pelo Banco Central em que você autoriza o compartilhamento de dados e pode cancelar quando quiser. Nunca informe a senha do banco para um aplicativo de terceiros.

As categorias mínimas

Comece com sete:

  1. Moradia (aluguel, prestação, condomínio)
  2. Mercado (comida, limpeza, gás)
  3. Contas (luz, água, internet, celular)
  4. Transporte
  5. Saúde
  6. Dívidas (parcelas e acordos)
  7. Outros (lazer, roupas, delivery, presentes)

Se a categoria "Outros" crescer muito, abra uma nova só para o que mais aparece nela, como delivery ou lanche na rua. Assim você divide só quando há motivo.

A rotina de cinco minutos

O que sustenta o hábito não é anotar na hora, e sim anotar todo dia, no mesmo momento. Escolha um horário fixo, como depois do jantar ou na volta do trabalho.

Nesses cinco minutos:

  1. Abra o extrato do banco e o do cartão e copie os gastos do dia.
  2. Lembre do que foi pago em dinheiro ou por Pix e anote também.
  3. Coloque cada gasto numa categoria.
  4. Guarde notinhas, se tiver, num envelope do mês.

Se esquecer um dia, não tente reconstruir a semana com perfeição. Use o extrato para recuperar o que der e siga em frente. Melhor uma anotação com pequenas falhas do que nenhuma.

Ajuda para não esquecer

Prenda o hábito a algo que você já faz todo dia, como escovar os dentes antes de dormir ou esperar o ônibus. Um alarme no celular com o texto "anotar gastos" também funciona nas primeiras semanas. Quem divide a casa pode combinar a anotação em dupla: um lê o extrato, o outro registra. Fica mais rápido e os dois sabem como o dinheiro está indo.

Como ler o resultado no fim do mês

Aqui está o retorno do esforço. No último dia do mês, ou no primeiro do seguinte, faça três perguntas.

Quanto foi para cada categoria? Some e compare com a renda. Em um exemplo simples, imagine renda de R$ 1.600 e estes totais: moradia R$ 550, mercado R$ 500, contas R$ 180, transporte R$ 120, saúde R$ 50, dívidas R$ 100 e outros R$ 200. Total: R$ 1.700. Faltaram R$ 100, que provavelmente vieram do cheque especial ou do cartão.

Onde está a surpresa? No exemplo, "outros" com R$ 200 chama atenção. Ao olhar os itens, aparecem vários delivery de R$ 25. Oito deles são R$ 200, ou seja, toda a categoria.

O que dá para mudar no próximo mês? Escolha uma única mudança. Trocar metade do delivery por comida feita em casa já fecharia a conta do exemplo. Mudanças pequenas e específicas duram mais do que promessas genéricas de "gastar menos".

Com dois ou três meses de anotação, você terá números reais para montar um orçamento com salário mínimo ou ajustar o que já tem.

Confira também o que está fora do radar

Anotar gastos mostra o presente, mas há compromissos que a gente esquece. No Meu BC, área gratuita do Banco Central, é possível consultar o Registrato, que lista empréstimos, financiamentos e contas em seu nome. Vale conferir uma vez por ano para não ser pego por uma dívida antiga ou um cartão esquecido. Se encontrar algo, o guia sobre quais dívidas pagar primeiro ajuda a decidir o que fazer.

Se a anotação mostrar muitas multas por atraso, leia como pagar as contas fixas em dia. Se mostrar gastos com tarifas que você não reconhece, veja tarifas bancárias.

Próximos passos

  1. Escolha hoje um formato, caderno, planilha ou aplicativo, e use por um mês inteiro.
  2. Crie as sete categorias mínimas e nada além delas.
  3. Defina um horário fixo do dia para a anotação de cinco minutos.
  4. Marque no calendário o dia de ler o resultado no fim do mês.
  5. Ao ler, escolha uma única mudança para o mês seguinte.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor jeito de anotar os gastos?
É o que você consegue manter. Caderno funciona para quem gosta de escrever, planilha para quem quer contas automáticas e aplicativo para quem vive com o celular na mão. Teste um por um mês antes de trocar.
Preciso anotar até o cafezinho?
No começo, sim, porque os gastos pequenos são os que mais surpreendem. Depois de dois ou três meses, se quiser, você pode agrupar compras miúdas numa categoria só.
Quantas categorias de gasto devo usar?
Poucas, entre cinco e oito. Muitas categorias deixam a anotação lenta e aumentam a chance de desistir. Moradia, mercado, contas, transporte, saúde, dívidas e outros já dão uma boa visão.
Aplicativo de controle financeiro é seguro?
Depende do aplicativo. Prefira os que não pedem sua senha do banco e, se houver conexão com contas, verifique se ela é feita pelo Open Finance, que exige seu consentimento e pode ser cancelado a qualquer momento.

Fontes e referências

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Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.

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