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Dívidas e crédito

Quais dívidas pagar primeiro quando o dinheiro não dá para todas

Deve para vários e o salário não cobre tudo? Veja a ordem para pagar: contas da casa, dívidas com garantia, juros mais altos e o que pode esperar um pouco.

Por Redação Mês FechadoAtualizado em · 5 min de leitura · Nível iniciante

Quando o dinheiro não cobre todas as contas, a ordem é esta: primeiro o que mantém a casa de pé (moradia, comida, luz, água), depois as dívidas que podem levar um bem seu, como o carro financiado, e só então as dívidas com os juros mais altos. O que tem juros baixos ou já está parado há tempo pode esperar uma negociação melhor.

Antes de escolher, coloque tudo no papel

Ninguém decide bem sem enxergar o tamanho do problema. Faça uma lista com cada dívida e anote quatro coisas:

  • para quem você deve;
  • quanto falta pagar no total;
  • o valor da parcela ou do mínimo;
  • os juros cobrados por mês (está no contrato, na fatura ou no aplicativo).

Para dívidas com bancos e financeiras, o Registrato, serviço gratuito do Banco Central, mostra empréstimos, financiamentos e cartões ligados ao seu CPF. Contas atrasadas com lojas e empresas de serviço aparecem em consultas de cadastro como a do Serasa. Juntar as duas visões evita surpresa.

Depois some a sua renda do mês e tire os gastos que não dá para cortar. O que sobra é o valor real para dívidas. Se você ainda não tem esse número, o guia de orçamento com salário mínimo ajuda a chegar nele.

Primeiro: o que mantém você vivo e trabalhando

Aluguel ou prestação da casa, comida, luz, água, gás e o transporte para chegar ao trabalho vêm antes de qualquer cartão. Parece óbvio, mas muita gente faz o contrário: paga a fatura para fugir da ligação de cobrança e depois atrasa a luz.

O raciocínio é simples. Atrasar a conta de luz pode levar ao corte do serviço, e o atraso do aluguel pode virar ação de despejo. Já a dívida do cartão, por pior que seja, não tira o teto da sua família. Pensão alimentícia também entra nesse primeiro grupo, porque o atraso tem consequências legais sérias.

Segundo: dívidas com garantia

Algumas dívidas estão presas a um bem. É o caso do financiamento de carro ou moto e do financiamento imobiliário. Nesses contratos, se as parcelas atrasam, a instituição pode retomar o bem com mais rapidez do que numa dívida comum.

Se o carro é a sua ferramenta de trabalho, perder o veículo derruba a renda e piora todas as outras dívidas. Por isso esse grupo costuma vir antes dos cartões. Se a parcela já não cabe, procure o credor cedo: renegociar prazo antes do atraso costuma ser mais fácil do que depois.

Terceiro: os juros mais altos

Com o básico garantido, a próxima pergunta é qual dívida cresce mais rápido. Rotativo do cartão e cheque especial costumam estar no topo, seguidos de empréstimos pessoais sem garantia. Crédito consignado e financiamentos tendem a ter juros menores.

Existem dois jeitos conhecidos de organizar esse pagamento.

Método avalanche

Você paga o mínimo de todas e coloca todo o dinheiro extra na dívida com o maior juro. Quando ela acaba, passa para a próxima mais cara. É o método que, na conta, faz você pagar menos juros no total.

Método bola de neve

Você paga o mínimo de todas e joga o extra na dívida de menor saldo, mesmo que o juro não seja o maior. Quitar algo rápido dá ânimo para continuar. Paga um pouco mais de juros, mas muita gente só segue em frente porque vê resultado logo.

Exemplo com números redondos

Imagine que, depois das contas da casa, sobram R$ 600 por mês para dívidas. As dívidas hipotéticas são:

Dívida Saldo Juros ao mês Mínimo
Cartão de crédito R$ 2.000 12% R$ 200
Empréstimo pessoal R$ 3.000 5% R$ 250
Crediário da loja R$ 400 3% R$ 100

Os mínimos somam R$ 550. Sobram R$ 50 de folga.

No avalanche, os R$ 50 vão para o cartão, que cobra 12%. Só nele, R$ 2.000 a 12% geram cerca de R$ 240 de juros no mês, mais do que o mínimo pago. Ou seja: pagando só o mínimo, essa dívida cresce. Esse é o sinal para tentar trocar o cartão por um parcelamento ou empréstimo com juro menor.

Na bola de neve, os R$ 50 vão para o crediário de R$ 400. Em poucos meses ele acaba e libera R$ 100 por mês para atacar a próxima.

O exemplo mostra uma coisa que vale para qualquer método: se o juro de uma dívida é maior que o que você consegue pagar, nenhum dos dois resolve sozinho. É hora de negociar.

O que pode esperar

Dívidas antigas, já em cobrança há meses ou vendidas para empresas de cobrança, costumam aparecer em feirões e campanhas de negociação com descontos. Elas podem ficar para depois que as caras estiverem controladas. Isso não quer dizer ignorar: guarde as cartas e mensagens, e não assine nada às pressas.

Também pode esperar a dívida com parente ou amigo, desde que você converse com franqueza e combine um prazo. Silêncio estraga relação mais do que atraso.

Quando chegar a vez de negociar, leia antes o que conferir num acordo de dívida, para não trocar uma dívida ruim por outra.

Quando nada disso cabe na renda

Se, mesmo cortando tudo, a soma dos mínimos é maior do que sobra depois do básico, você pode estar em situação de superendividamento. A Lei 14.181/2021 criou um caminho para renegociar todas as dívidas de consumo de uma vez, preservando uma parte da renda para a sobrevivência. Veja como pedir ajuda no superendividamento. Cada caso tem detalhes próprios; se tiver dúvida, procure o Procon da sua cidade ou a Defensoria Pública.

Próximos passos

  1. Acesse o Registrato com sua conta gov.br e baixe o relatório de empréstimos e financiamentos.
  2. Monte a lista de dívidas com saldo, juros ao mês e parcela mínima.
  3. Separe primeiro o dinheiro de aluguel, comida, luz, água e transporte.
  4. Escolha entre avalanche e bola de neve e anote qual dívida recebe o dinheiro extra deste mês.
  5. Se alguma dívida cresce mais do que você paga, ligue para o credor e peça uma proposta de parcelamento por escrito.

Perguntas frequentes

Devo pagar primeiro a dívida mais antiga ou a mais cara?
Na maioria dos casos, a mais cara. A idade da dívida pesa menos do que os juros que ela cobra todo mês. Dívidas antigas e paradas costumam aceitar descontos maiores em uma negociação mais adiante.
Vale a pena deixar de pagar a conta de luz para quitar o cartão?
Não. Luz, água, aluguel e comida mantêm a casa funcionando e a sua capacidade de trabalhar. Atrasar essas contas pode trazer corte do serviço ou despejo, um problema maior do que juros de cartão.
Como descobro todas as dívidas que tenho em banco?
Pelo Registrato, serviço gratuito do Banco Central que mostra empréstimos, financiamentos e cartões ligados ao seu CPF. O acesso é feito com a conta gov.br.
Nome sujo deve ser a prioridade?
Nem sempre. Limpar o nome ajuda a conseguir crédito, mas não adianta fazer um acordo e deixar faltar dinheiro para comida ou aluguel. Primeiro garanta o básico, depois negocie.

Fontes e referências

Aviso. Este conteúdo é educativo e não substitui orientação profissional. Taxas, limites e regras citadas mudam com o tempo; confira sempre o valor vigente na fonte oficial antes de decidir. O Mês Fechado não recomenda produtos, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.
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Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.

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