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Organizar o dinheiro

Como montar um orçamento vivendo com um salário mínimo

Passo a passo para montar um orçamento com um salário mínimo: ordem de prioridade dos gastos, exemplo com conta feita e o que cortar primeiro quando falta.

Por Redação Mês FechadoAtualizado em · 6 min de leitura · Nível iniciante

Montar um orçamento com um salário mínimo começa por anotar quanto entra de verdade e pagar primeiro o que mantém a casa de pé: moradia, comida, contas básicas e transporte. Só depois disso entram dívidas, compras e lazer. A ideia não é fazer o dinheiro render mais do que ele rende, e sim parar de descobrir no dia 20 que ele acabou.

Comece pelo valor que cai na conta

O primeiro número do orçamento é a renda líquida, aquela que realmente chega depois dos descontos. Quem tem carteira assinada recebe o salário com INSS descontado e, às vezes, vale-transporte ou adiantamento. Por isso o valor que aparece no extrato é menor que o do contrato.

Pegue o último contracheque ou o extrato do banco e anote:

  • quanto caiu de salário líquido;
  • se existe adiantamento no meio do mês (o famoso "vale");
  • outras entradas fixas, como pensão ou benefício;
  • entradas que não são garantidas, como bico ou hora extra.

Entradas incertas ficam fora da conta principal. Se vierem, ótimo, você decide o destino delas depois. O orçamento do mês se apoia só no que é certo. O salário mínimo muda periodicamente por decisão do governo federal, então use o número do seu contracheque, não um valor que você leu em algum lugar.

A ordem de prioridade dos gastos

Com pouco dinheiro, percentual fixo costuma não fechar. Funciona melhor uma fila: cada real vai para o primeiro item da lista que ainda não foi coberto.

  1. Moradia: aluguel, prestação ou a parte que você divide com a família.
  2. Comida: mercado, feira, gás de cozinha.
  3. Contas básicas: luz, água, internet ou crédito do celular usado para trabalhar.
  4. Transporte: passagem, combustível ou manutenção da bicicleta para chegar ao trabalho.
  5. Saúde: remédios de uso contínuo.
  6. Dívidas: parcelas de acordos e empréstimos.
  7. O resto: roupas, lazer, presentes, pequenas compras.

Essa ordem protege o essencial. Se alguma dívida está apertando tanto que ameaça o aluguel, vale ler o guia sobre quais dívidas pagar primeiro antes de decidir.

Exemplo com a conta feita

Imagine uma pessoa que recebe R$ 1.400 líquidos por mês. O número é redondo e hipotético, só para mostrar o raciocínio.

Item Valor Quanto sobra
Aluguel dividido R$ 500 R$ 900
Mercado e gás R$ 450 R$ 450
Luz, água e celular R$ 150 R$ 300
Transporte R$ 100 R$ 200
Remédio R$ 40 R$ 160
Parcela de acordo R$ 80 R$ 80
Folga para imprevistos R$ 80 R$ 0

A conta é simples: R$ 1.400 menos R$ 1.320 de gastos dá R$ 80. Essa sobra não é dinheiro para gastar no fim de semana. Ela é a folga para o botijão que acabou antes da hora ou a conta de luz que veio mais alta.

Se, ao fazer a sua tabela, o total passar da renda, você já sabe que precisa mexer em algum item. Saber disso no dia 5 é muito melhor do que descobrir no dia 25.

O que cortar primeiro quando não fecha

Cortar tudo de uma vez costuma dar errado, porque ninguém aguenta muito tempo vivendo no limite absoluto. Vá de baixo para cima na lista de prioridade:

  • Assinaturas e serviços pouco usados: streaming, aplicativos pagos, pacote de TV.
  • Compras por impulso pequenas: lanche na rua, delivery, besteiras no caixa do mercado. Somadas no mês, elas pesam.
  • Plano de celular: muitas vezes dá para baixar para um plano mais simples.
  • Tarifas bancárias: confira se você paga pacote de serviços que não usa. O guia sobre tarifas bancárias explica o que é gratuito por regra do Banco Central.
  • Mercado: lista antes de sair, marca própria, comparar preço por quilo.

Só depois de passar por esses itens faz sentido pensar em mudanças maiores, como dividir moradia ou trocar de casa. Se o aluguel come mais da metade da renda, o guia sobre quanto gastar com aluguel ajuda a pensar nisso.

Divida o salário em envelopes

Saber os valores é metade do caminho. A outra metade é não misturar o dinheiro. Um jeito prático é separar a renda em "envelopes", físicos ou digitais, logo no dia do pagamento.

  • Envelope da moradia e das contas: paga tudo o que vence no mês.
  • Envelope do mercado: dividido por semana, para não gastar tudo na primeira compra.
  • Envelope do transporte.
  • Envelope da folga.

Muitos bancos e contas digitais permitem criar "caixinhas" ou separar saldo dentro do aplicativo. Não é preciso nada sofisticado: o objetivo é olhar e saber quanto ainda pode ser gasto com mercado sem tocar no dinheiro do aluguel.

Acompanhe durante o mês

Orçamento feito uma vez e esquecido não ajuda. Reserve cinco minutos por semana para comparar o que você planejou com o que gastou. Anotar os gastos do dia a dia faz essa comparação ficar fácil, e o guia sobre como anotar gastos sem desistir mostra formatos simples.

No fim do mês, olhe três coisas:

  • qual item estourou;
  • se a folga foi usada e com quê;
  • o que dá para ajustar no próximo mês.

O Banco Central mantém, na área de Cidadania Financeira, materiais gratuitos de educação financeira que ajudam a montar orçamento e a entender crédito. No Meu BC, também gratuito, você consulta informações sobre seus relacionamentos com bancos, o que ajuda a descobrir dívidas ou contas que você nem lembrava.

Quando a folga aparecer

Em alguns meses vai sobrar um pouco mais. Antes de gastar, pense em duas prioridades: quitar dívidas com juros altos e começar uma pequena reserva para emergências. Mesmo valores baixos, guardados com regularidade, evitam que um imprevisto vire empréstimo caro. O guia sobre como guardar dinheiro ganhando pouco aprofunda essa parte.

Se as contas fixas vivem atrasando por causa das datas de vencimento, veja também como pagar as contas fixas em dia.

Próximos passos

  1. Abra o extrato do último mês e anote o valor líquido que caiu na conta.
  2. Liste todos os gastos fixos na ordem de prioridade deste guia e some.
  3. Compare o total com a renda e veja quanto sobra ou falta.
  4. Escolha um item do fim da lista para cortar ou reduzir já neste mês.
  5. Separe o dinheiro em envelopes ou caixinhas no próximo dia de pagamento.

Perguntas frequentes

Dá para fazer orçamento ganhando um salário mínimo?
Dá, e é justamente quando a renda é curta que o orçamento faz mais diferença. Ele não aumenta o dinheiro, mas mostra para onde cada real vai e evita que as contas essenciais fiquem sem pagamento no fim do mês.
Qual gasto deve ser pago primeiro no orçamento?
Primeiro o que mantém você com teto e comida: moradia, alimentação e contas básicas como água e luz. Depois vem o transporte para trabalhar. Dívidas, compras e lazer entram com o que sobrar dessa base.
Regra 50/30/20 funciona para quem ganha pouco?
Muitas vezes não, porque só moradia e comida já podem passar da metade da renda. Use a regra como referência, não como meta. Para renda baixa, a ordem de prioridade costuma funcionar melhor que percentuais fixos.
Onde vejo o valor atual do salário mínimo?
O valor é definido pelo governo federal e reajustado periodicamente, em geral no começo de cada ano. Confira o número vigente em canais oficiais do governo antes de montar suas contas.

Fontes e referências

Aviso. Este conteúdo é educativo e não substitui orientação profissional. Taxas, limites e regras citadas mudam com o tempo; confira sempre o valor vigente na fonte oficial antes de decidir. O Mês Fechado não recomenda produtos, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.
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Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.

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