Mês Fechado
Organizar o dinheiro

Como organizar o dinheiro quando a renda muda todo mês

Guia para autônomo, diarista e entregador: orçamento pelo mês mais fraco, colchão dos meses bons, separar dinheiro do trabalho e da casa e o MEI como opção.

Por Redação Mês FechadoAtualizado em · 5 min de leitura · Nível iniciante

Quando a renda muda todo mês, monte o orçamento com base no mês mais fraco, não na média, e guarde o que entrar acima disso num colchão para os meses ruins. Separe também o dinheiro do trabalho do dinheiro da casa e pague a você mesmo um "salário" fixo. Assim as contas deixam de depender de um mês bom.

Por que a média engana

Quem é autônomo, diarista, entregador, motorista de aplicativo ou vive de bicos costuma pensar em quanto ganha "em média". O problema é que contas não vencem na média: o aluguel é o mesmo no mês em que entrou muito e no mês em que entrou pouco.

Em um exemplo simples, imagine estes ganhos líquidos em seis meses: R$ 2.200, R$ 1.400, R$ 1.800, R$ 1.200, R$ 2.000 e R$ 1.600. A média é R$ 1.700. Se as contas fixas somarem R$ 1.600, parece que sobra. Mas em dois meses a renda ficou abaixo disso, e nesses meses entraram cartão, empréstimo ou atraso.

Descubra seu mês mais fraco

Pegue extratos, anotações ou o histórico do aplicativo de trabalho e liste o que você ganhou de fato, já descontados os custos, nos últimos seis meses. Se tiver menos histórico, use o que tiver.

Marque o menor valor. No exemplo, é R$ 1.200. Esse é o número que vai guiar o orçamento.

Se você não tem anotação nenhuma, comece agora. O guia sobre como anotar gastos sem desistir serve também para anotar o que entra. Em dois ou três meses você terá dados para trabalhar.

Monte o orçamento pelo mês mais fraco

Com o valor do mês fraco em mãos, encaixe as despesas por ordem de prioridade: moradia, comida, contas básicas, transporte, saúde e dívidas. O guia sobre orçamento com salário mínimo detalha essa ordem.

Se as despesas essenciais não cabem no mês mais fraco, isso é um sinal importante. Significa que, sem colchão, você vai se endividar sempre que vier um mês ruim. As saídas são reduzir gastos fixos, buscar uma fonte de renda mais estável ou montar o colchão antes de assumir novos compromissos, como parcelas longas.

Crie o colchão com os meses bons

Tudo o que entrar acima do mês mais fraco tem destino definido: primeiro, o colchão.

Seguindo o exemplo, com base de R$ 1.200:

Mês Ganho Base usada nas contas Vai para o colchão
1 R$ 2.200 R$ 1.200 R$ 1.000
2 R$ 1.400 R$ 1.200 R$ 200
3 R$ 1.800 R$ 1.200 R$ 600

Em três meses, o colchão chegou a R$ 1.800. Quando vier um mês de R$ 900, você tira R$ 300 do colchão para completar a base e as contas continuam em dia.

A meta do colchão pode ser, por exemplo, o valor de dois ou três meses de despesas essenciais. Ele precisa ficar num lugar com liquidez, ou seja, de onde o dinheiro saia rápido e sem perda. O guia sobre como guardar dinheiro ganhando pouco explica o que observar.

Depois que o colchão estiver cheio, o excedente dos meses bons pode ir para quitar dívidas, para uma reserva de longo prazo ou para algo que você quer comprar.

Separe o dinheiro do trabalho e o da casa

Misturar tudo numa conta só é a principal razão de autônomos não saberem quanto ganham. O dinheiro que entra não é todo seu: parte dele precisa repor combustível, material, manutenção da moto ou do carro, taxa do aplicativo, celular.

Uma organização simples:

  1. Conta do trabalho: recebe tudo o que entra e paga os custos do trabalho.
  2. Salário fixo: uma vez por semana ou por mês, transfira para a conta da casa um valor fixo, igual à sua base.
  3. Conta da casa: paga aluguel, mercado e contas, como se fosse um salário de carteira.
  4. Colchão: o que sobra na conta do trabalho, depois de reservar os custos, vai para o colchão.

Pagar a si mesmo um valor fixo traz previsibilidade para dentro de casa, mesmo com a renda balançando lá fora.

Reserve os custos e os impostos antes de gastar

Quem trabalha por conta própria tem gastos que chegam de uma vez: troca de pneu, revisão, compra de material em quantidade, contribuição ao INSS. Se você não separar um pouco toda semana, esses gastos caem como emergência.

Faça uma lista dos custos do trabalho que se repetem e estime quanto custam por mês. Separe esse valor da conta do trabalho antes de transferir o seu salário fixo.

Imagine um entregador que troca o pneu da moto a cada quatro meses por R$ 200 e faz uma revisão a cada seis meses por R$ 300. Dividindo pelo número de meses, são R$ 50 por mês para o pneu e R$ 50 para a revisão. Separando R$ 100 por mês, quando a troca chegar o dinheiro já estará lá.

O MEI como opção

O MEI, microempreendedor individual, é uma forma simplificada de formalizar o trabalho por conta própria. Em troca de uma contribuição mensal fixa, a pessoa pode ter CNPJ, emitir nota fiscal e contar para benefícios do INSS, como aposentadoria e auxílio por incapacidade, respeitadas as carências.

Nem toda atividade pode ser MEI, e existe um limite anual de faturamento. O valor da contribuição, o limite e a lista de atividades são atualizados periodicamente e estão no Portal do Empreendedor, do governo federal, onde também é feita a abertura gratuita. Se tiver dúvida sobre se o MEI faz sentido para o seu caso, um contador pode ajudar.

Formalizado ou não, a contribuição ao INSS merece entrar no orçamento como custo fixo, porque protege você em caso de doença ou acidente.

Próximos passos

  1. Liste quanto você ganhou de fato, já descontados os custos, em cada um dos últimos meses.
  2. Marque o mês mais fraco e use esse valor como base do orçamento.
  3. Abra uma conta ou caixinha separada para o dinheiro do trabalho.
  4. Defina um salário fixo semanal ou mensal para transferir à conta da casa.
  5. Consulte o Portal do Empreendedor para ver se sua atividade pode ser MEI.

Perguntas frequentes

Como fazer orçamento quando a renda varia?
Use como base o valor do mês mais fraco dos últimos meses, não a média. As contas fixas precisam caber nesse valor. O que entrar acima dele vai primeiro para um colchão que cobre os meses ruins.
Preciso abrir MEI para organizar minhas finanças?
Não é obrigatório para se organizar, mas o MEI (microempreendedor individual) pode dar CNPJ, emissão de nota fiscal e acesso a benefícios do INSS mediante contribuição mensal. As regras, o limite de faturamento e as atividades permitidas estão no Portal do Empreendedor.
Devo ter uma conta separada para o trabalho?
Ajuda bastante. Com uma conta para o que entra do trabalho e outra para a casa, você enxerga quanto realmente ganhou e evita gastar o dinheiro que precisa repor material ou combustível.

Fontes e referências

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Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.

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