Fatura do cartão atrasada: o que acontece e o que fazer agora
Não pagou a fatura do cartão? Entenda o rotativo, o parcelamento da fatura, a multa e os juros de atraso, e o que fazer logo para a dívida não crescer.
Se a fatura do cartão venceu e você não pagou, o valor passa a ter multa, juros de atraso e juros do crédito, e o cartão costuma ser bloqueado para novas compras. O que mais pesa é o tempo: quanto antes você pagar, parcelar ou negociar, menor fica a conta. Nos primeiros dias ainda dá para escolher o caminho menos caro.
O que acontece quando a fatura atrasa
No dia seguinte ao vencimento sem pagamento, entram três cobranças diferentes:
- multa por atraso, que o Código de Defesa do Consumidor limita a 2% do valor devido;
- juros de mora, cobrados por dia de atraso;
- juros do crédito, os mesmos do rotativo, sobre o saldo não pago.
Também incide IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Tudo isso aparece somado na fatura seguinte, junto com as compras novas e as parcelas que já estavam programadas.
Pouco depois, o emissor costuma bloquear o cartão e começa a cobrança por mensagem, ligação ou e-mail. Se o atraso continua, a dívida pode ir para os cadastros de inadimplentes. Antes disso, a lei exige que você receba um aviso por escrito.
Rotativo: o que é e por que é caro
Quando você paga qualquer valor entre o mínimo e o total da fatura, o que faltou entra no crédito rotativo. Ele é um dos créditos mais caros do país, e os juros variam de banco para banco. O Banco Central publica as taxas médias de cada instituição.
Há duas regras que ajudam a limitar o estrago:
- O rotativo só pode ser usado até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o banco precisa oferecer um parcelamento com condições mais vantajosas do que as do rotativo.
- Desde 2024, por força da Lei 14.690/2023, os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar do valor original da dívida. Na prática, uma dívida de R$ 1.000 não pode gerar mais de R$ 1.000 em juros e encargos nessas linhas. Essa regra pode ser ajustada por normas novas; confira a vigente no site do Banco Central.
Esse limite é uma proteção, não uma solução. Pagar o dobro do que você gastou continua sendo um prejuízo enorme.
Vale saber também que o pagamento mínimo não é igual em todos os cartões. Cada emissor define o seu percentual, que aparece na fatura. Pagar só o mínimo por vários meses seguidos é o caminho mais curto para a dívida chegar perto desse teto.
Parcelamento da fatura: quando faz sentido
O próprio aplicativo do cartão costuma oferecer o parcelamento da fatura em valores fixos. Os juros são menores do que os do rotativo, mas ainda são altos, e o valor das parcelas ocupa parte do seu limite.
Antes de aceitar, olhe:
- o CET (Custo Efetivo Total), que mostra o custo real com juros, tarifas e impostos;
- o valor total que você vai pagar no fim;
- se a parcela cabe no mês junto com as compras que você ainda faz no cartão.
Para entender a conta do parcelamento, veja o guia sobre juros do parcelamento.
Exemplo: o custo de esperar
Imagine uma fatura de R$ 1.000 que não foi paga, num cartão com juros hipotéticos de 12% ao mês.
- Multa de 2%: R$ 20.
- Juros do crédito em um mês: R$ 1.000 x 12% = R$ 120.
- Juros de mora (exemplo de 1% ao mês): R$ 10.
No mês seguinte, a dívida já está perto de R$ 1.150, antes do IOF. Se nada for feito por mais um mês, os juros passam a correr sobre esse novo valor. Agora compare com um parcelamento hipotético de R$ 1.000 em 10 vezes com juros de 5% ao mês: a parcela fica perto de R$ 130 e o total, cerca de R$ 1.300. É caro, mas tem fim conhecido. O problema de esperar sem plano é não saber onde a conta vai parar.
Os números são ilustrativos. Confira as taxas reais na sua fatura e no aplicativo.
O que fazer nos primeiros dias
- Pare de usar o cartão. Cada compra nova aumenta a dívida que você já não consegue pagar.
- Veja o valor atualizado. O aplicativo mostra quanto custa quitar hoje e as opções de parcelamento.
- Pague o que puder, se der para quitar logo. Se você recebe em poucos dias e consegue pagar o total, isso custa menos do que parcelar.
- Se não der, peça o parcelamento por escrito. Anote o CET e o total, compare com um empréstimo pessoal com juro menor, se você tiver acesso a um.
- Guarde tudo. Prints, protocolos e e-mails ajudam se houver cobrança indevida depois.
Se o banco não resolver, você pode registrar reclamação no canal de atendimento dele, depois na ouvidoria e no Consumidor.gov.br.
Um cuidado extra: depois do atraso, é comum aparecerem mensagens oferecendo "quitação com desconto". Não pague por link recebido de número desconhecido. Gere qualquer boleto dentro do aplicativo oficial do cartão.
Como evitar a bola de neve
A fatura atrasada raramente é um susto isolado. Em geral, ela mostra que o cartão estava sendo usado como extensão do salário. Algumas medidas ajudam:
- Reduza o limite do cartão para um valor que você consegue pagar inteiro todo mês.
- Mude o vencimento da fatura para logo depois do dia em que você recebe.
- Evite parcelar compras pequenas: várias parcelas de R$ 50 viram uma fatura que não cabe.
- Anote cada compra no cartão no mesmo dia, como se o dinheiro já tivesse saído.
Se a fatura é só uma entre várias contas atrasadas, defina a ordem de pagamento em quais dívidas pagar primeiro. E se você recebeu uma proposta de acordo, leia o que conferir antes de aceitar.
Próximos passos
- Abra o aplicativo do cartão hoje e veja o valor atualizado da fatura em atraso.
- Suspenda as compras no cartão até a situação estar resolvida.
- Peça as opções de parcelamento e anote o CET e o valor total de cada uma.
- Escolha a opção cuja parcela cabe no seu orçamento junto com as contas da casa.
- Reduza o limite e ajuste o vencimento da fatura para depois do seu pagamento.
Perguntas frequentes
Quanto tempo depois do atraso o nome vai para o Serasa?
Pagar o mínimo da fatura evita juros?
A multa por atraso do cartão tem limite?
O cartão é bloqueado se eu atrasar a fatura?
Fontes e referências
Indicadores de hoje
Ver no Banco CentralNão foi possível carregar os indicadores agora. Consulte no site do Banco Central.
Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.
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