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Economia no bolso

Inflação no bolso: por que o dinheiro compra menos a cada ano

Entenda o que é inflação, como o IBGE mede o IPCA e o INPC, por que o salário rende menos com o tempo e o que fazer no orçamento para se defender no dia a dia.

Por Redação Mês FechadoAtualizado em · 5 min de leitura · Nível iniciante

Inflação é o aumento geral dos preços ao longo do tempo. Quando ela acontece, a mesma nota de R$ 100 compra menos coisas do que comprava antes. Se o seu salário não sobe no mesmo ritmo, você sente no carrinho do mercado, no gás e na passagem, mesmo sem ter mudado nenhum hábito.

Não dá para controlar a inflação do país, mas dá para entender como ela age e diminuir o estrago no seu orçamento.

O que é inflação, em palavras simples

Imagine uma cesta com arroz, feijão, óleo, conta de luz, aluguel, ônibus e remédio. Se essa cesta custava R$ 1.000 e, um ano depois, passa a custar R$ 1.050, houve inflação de 5% no período. Repare que nem todos os itens sobem igual: alguns sobem muito, outros ficam parados e alguns até caem. A inflação é a média ponderada dessas variações.

Ponderada quer dizer que cada item tem um peso de acordo com o quanto as famílias gastam com ele. Aluguel e comida pesam mais que um item comprado raramente.

Como o IBGE mede: IPCA e INPC

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pesquisa todo mês os preços de centenas de produtos e serviços em várias regiões do país. Com isso, calcula dois índices muito usados:

  • IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo): é a inflação oficial do Brasil. Considera uma faixa ampla de renda familiar e é o índice usado na meta de inflação.
  • INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor): olha para famílias de renda mais baixa. Por isso dá mais peso a gastos básicos, como alimentação. Ele é usado como referência em reajustes de vários benefícios e salários.

Os valores de cada mês e do acumulado em 12 meses são divulgados pelo IBGE e mudam o tempo todo. Para saber o número atual, consulte a página de inflação do IBGE.

Por que os preços sobem

Não existe uma causa única. Entre as mais comuns:

  • Custos maiores para produzir: combustível, energia, fretes e matérias-primas mais caros chegam ao preço final.
  • Choques de oferta: seca ou excesso de chuva estragam safras e encarecem alimentos.
  • Demanda aquecida: quando muita gente quer comprar e a produção não acompanha, os preços tendem a subir.
  • Câmbio: com o dólar mais caro, produtos importados e insumos ficam mais caros.
  • Preços administrados: tarifas de energia, água e transporte público são reajustadas por decisão de governos e agências.

O papel do Banco Central e da Selic

O Banco Central tem a missão de manter a inflação perto de uma meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. A principal ferramenta é a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia.

Quando a inflação ameaça ficar acima da meta, o BC tende a subir a Selic. Com juros mais altos, o crédito fica mais caro, as pessoas compram menos a prazo e a pressão sobre os preços diminui. Quando a inflação está controlada, o BC pode reduzir a Selic. O valor atual e as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) ficam no site do Banco Central.

Para você, isso tem dois efeitos: dívidas e parcelamentos ficam mais caros quando a Selic sobe, e aplicações de renda fixa atreladas a ela passam a render mais.

O efeito no salário e na dívida

No salário

Se o seu salário fica parado e os preços sobem, o seu poder de compra cai. Em um exemplo simples: imagine que você ganha R$ 2.000 e a inflação em um ano foi de 5%. Para comprar as mesmas coisas, você precisaria de R$ 2.000 x 1,05 = R$ 2.100. Sem reajuste, é como se tivesse perdido R$ 100 por mês, ou R$ 1.200 no ano.

Na dívida

A inflação também mexe com as dívidas, mas de outro jeito. Uma parcela fixa de R$ 300 pesa um pouco menos com o tempo se o salário for reajustado. Por outro lado, inflação alta costuma vir com juros altos, e dívidas com juros variáveis, como cartão de crédito e cheque especial, ficam ainda mais caras. Se você está nessa situação, veja quais dívidas pagar primeiro.

Como se defender no orçamento

Ninguém escapa da inflação, mas dá para reduzir o impacto:

  • Descubra a sua inflação pessoal. Compare o que você pagava há seis meses em mercado, gás, luz e transporte com o que paga hoje. Isso mostra onde o aperto está.
  • Troque marcas e lugares de compra. Itens equivalentes podem ter preços bem diferentes. Feiras no fim do horário e atacarejos às vezes compensam para quem compra em quantidade.
  • Planeje o cardápio da semana. Comprar com lista reduz desperdício, que é dinheiro jogado fora.
  • Revise contas fixas. Plano de celular, internet e tarifas bancárias podem ser renegociados ou cortados. Veja o que o banco não pode cobrar em tarifas bancárias.
  • Refaça o orçamento com frequência. Um orçamento feito há um ano já não serve. O passo a passo está em orçamento com salário mínimo.

E o dinheiro guardado?

Dinheiro parado na conta corrente ou em casa perde valor quando os preços sobem. Se você conseguiu separar uma reserva, vale entender opções de baixo risco que têm rendimento, como o Tesouro Selic e a poupança. Cada uma tem regras próprias de rendimento, liquidez e imposto, e nenhuma garante ganho acima da inflação em todos os períodos. Antes de aplicar, entenda como funciona e se o dinheiro pode ficar lá pelo tempo necessário.

Próximos passos

  1. Anote hoje o preço de cinco itens que você compra sempre e repita a anotação daqui a três meses.
  2. Consulte no site do IBGE a inflação acumulada em 12 meses e compare com o seu último reajuste de salário.
  3. Escolha uma conta fixa para renegociar ou cortar ainda este mês.
  4. Faça a próxima compra do mercado com lista e cardápio da semana.
  5. Se tem dinheiro guardado parado na conta corrente, leia sobre opções de baixo risco antes de decidir onde deixá-lo.

Perguntas frequentes

Quem calcula a inflação oficial no Brasil?
O IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O índice oficial é o IPCA. O IBGE também calcula o INPC, que olha para famílias de renda mais baixa. Os resultados mensais ficam no site do IBGE.
Qual a diferença entre IPCA e INPC?
Os dois medem a variação de preços ao consumidor, mas para grupos de famílias diferentes. O INPC considera famílias com renda menor, então pesa mais itens como comida e transporte. O IPCA cobre uma faixa de renda mais ampla e é o usado na meta de inflação.
Por que meu mercado subiu mais que a inflação divulgada?
O índice é uma média de muitos produtos e serviços. Se você gasta mais com itens que subiram acima da média, como alguns alimentos, a sua inflação pessoal fica maior que a oficial.
Deixar dinheiro parado na conta corrente faz perder para a inflação?
Sim. Dinheiro na conta corrente não rende, então perde poder de compra quando os preços sobem. Para valores guardados, procure opções de baixo risco que tenham rendimento, entendendo antes como cada uma funciona.

Fontes e referências

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Indicadores de hoje

Ver no Banco Central
Meta Selic...taxa básica, ao ano
CDI...referência da renda fixa, ao ano
IPCA...inflação acumulada em 12 meses
Salário mínimo...valor vigente

Não foi possível carregar os indicadores agora. Consulte no site do Banco Central.

Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.

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